Tributo a Francisco Nascimento de Souza
(Pendão de Souza) - *14/05/1950 +10/04/2019
Chico
Libório e Firmino Leal
Não há como dissociar a
infância dos filhos de Pedro Libório Leal e Maria Aparecida Leal de Pendão,
como carinhosamente o tratamos. Ele é parte de nós, assim como sua irmã
Francisca, seus descendentes e sua mãe Joaquina, que o recebeu no plano maior.
Esse amalgama feliz, remonta
aos tempos dos nossos avós Firmino Borges Leal e Minervina Rosa Leal, quando os
irmãos Selidônio, Alumínio, Helena e Joaquina, viviam sob a égide dos Borges
Leal na centenária fazenda Lagoa Grande, zona rural de Bocaina, ou no casarão
da família situado na Praça Borges Marinho Leal na sede daquele município.
Em 14 de maio de 1950,
nascia em Bocaina, PI, aquele que recebeu na pia batismal o nome de Francisco
Nascimento de Souza, para nós e para muitos, Pendão de Souza. Em meados dos
anos cinquenta, a procura de uma vida melhor e principalmente em busca de
trabalho sua mãe Joaquina, muda-se com os filhos: Francisca e Pendão para Picos,
anos depois nós também mudamos.
Pendão tinha a
particularidade de botar apelidos nas pessoas, principalmente em nós, vejamos:
em sua irmã Francisca ele colocou o apelido de “Ziri”. Em Firmino filho mais
velho de Libório e Aparecida, ele simples apelidou de “Formiguinha”. Assim foi
com os demais. José ele apelidou de “Bogarim”. Antônio de “Sidola”. Minervina
de “Teté” e Francisco de “Agabeúta”. Curiosamente os caçulas Nonata e Nonato
ele não se atreveu a apelidar.
Outra particularidade de
Pendão, a escolha de suas amizades. Era amigo de todos, porém primava pela
escolha de pessoas que lhe eram gradas as quais ele as tinha como uma espécie
de protetores: De Assis Lima, Adalberto Antônio de Lima, Cambito, Floro
Bezerra, Dr. Helvídio, Dr. Zé Nunes, Zé Nery eram os seus preferidos.
Dele guardaremos imorredouras lembranças: sua bicicleta, onde aprendemos a pedalar, seu carrinho de madeira que servia de transporte e frete na feira de Picos onde ganhávamos uns trocados como ajudante. Sua motocicleta e seu plangente violão onde aprendemos os primeiros acordes, exemplos: A Desconhecida e o Homem de Nazaré. Seu empreendedorismo aflorava a pele. Durante a semana vendia bananas no Ginásio Marcos Parente, e aos sábados como feirante mantinha a lida de vender cigarros e sandálias Wakiki na feira de Picos. Com ele aprendemos enfrentar os problemas da vida e hoje o que somos, aprendemos um pouco com ele.
Pendão também foi seresteiro
e cantor. Junto ao intrépido Geraldo Pereira empreendeu importante projeto de
gravação de um compacto simples, ocasião em que Geraldo compôs especialmente para
ele gravar a bela canção “Exaltação ao Piauí”. Foi quando escolheu o nome
artístico de Hilton Souza. Também participou ativamente dos programas de
auditório das antigas rádios Luar do Sertão e Difusora comandados por “Seu
Rocha” e Geraldo Pereira, além de Pendão de Souza foram calouros pioneiros:
José Osvaldo Lavor e Guanambi Sonial, dentre outros... Além disso, como
seresteiro, Pendão foi destaque da revista “Centenário de Picos”.
Para nós, fica a imagem e o
exemplo do batalhador que a despeito da crueza e das dificuldades que a vida
lhe impunha, era deficiente, nasceu com os “pés embolados”, ou seja, (talipes equinovarus) é um defeito congênito no qual os pés e os
tornozelos estão torcidos ou fora de posição. Mesmo assim, seguia
sempre à frente com honestidade e destemor e principalmente a crença de que não
devemos desistir nunca de nossos sonhos.
Pendão lutou, estudou e
venceu. No final dos anos setenta adentrou ao serviço público, mais
precisamente na CIRETRAN de Picos. No inicio dos anos noventa, o então
governador Antônio Almendra Freitas Neto, com certeza atendendo indicação de
algum dos seus amigos importantes de Picos, o nomeou funcionário chefe do DETRAN
de Picos. O órgão encontrava-se,
desorganizado, onde imperava a corrupção, a balburdia e desordem. Pendão moralizou
e organizou a “repartição” como ele gostava de falar, tornando aquela CIRETRAN reconhecida,
conceituada e destaque em todo Estado do Piaui.
Pendão durante sua
existência terrena foi um homem bom, honrado, bom filho, bom pai e avô amoroso,
sincero e leal amigo. Amante da música e crente em Deus.
Não!
Não há partida capaz de exclui-lo de nossas vidas!
*Francisca, Firmino, José,
Antônio, Minervina, Francisco, Nonata, Nonato. A sobrinha Francisca Maria e
seus familiares. As filhas Rosângela e Karla e seus familiares...

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